Se Donald Trump é um republicano “oba-oba”,
Hillary é uma socialista turva. Mas a mídia brasileira faz campanha para
Hillary. Cuidado: devemos estar diariamente alertas para as
tendenciosas informações que nos chegam.
Eu não assisto televisão, a não ser em casos excepcionais. Com o
advento da internet, a televisão se resumiu, para mim, a entretenimentos
tolos e telejornais tendenciosos ou sensacionalistas; o que ocorre
também na internet, é verdade. Todavia, nessa eu seleciono se assisto ou
não, se leio ou não, enquanto que na televisão não posso montar a grade
daquilo que eu assistiria.
Vou ser mais taxativo ainda. Alguns canais televisivos no Brasil se
resumem a um quartel general de propagandas ideológicas, com a única
finalidade de servir a algumas seletas ideias. Sem rodeios: a mídia
vendida, hoje, serve tão-somente para recrutar, ainda que de forma
inconsciente, militantes servis e mentes disformes para seus ideais.
Aos estudantes de jornalismo, filosofia, marketing e algumas outras
áreas do conhecimento que lidam com a sociedade moderna, torna-se claro
como a mídia pode ser, e é, um aparato de controle social sem igual. Se o
Willian Bonner disser que a casa de seu vizinho está em chamas, é bem
provável que você levante e fuja com o mesmo ímpeto que outrora Jean
Valjean fugiu de Javert pelas ruas francesas. É bem provável que fugisse
sem mesmo olhar para o lado a fim de confirmar a notícia. O mundo
moderno aprendeu a criticar os dogmas religiosos enquanto que, de forma
muito tranquila e reles, se prostitui com os dogmas modernos
transmitidos pela mídia.
Assim sendo, não sou eu o bobinho que acredita no que a mídia divulga
sem antes passar pelo meu rígido filtro de coerência argumentativa,
fontes confiáveis e lógica basal. Na realidade, não é preciso ser nenhum
intelectual de alto calibre para perceber tendências e muitas
manipulações de notícias e termos empregados nesses jornais.
Tudo isto eu falo em vista do grande ataque midiático muito bem
orquestrado a Donald Trump e aos republicanos, algo tão visível quanto
um elefante na sala de estar. Confesso a vocês que não sou nem um pouco
simpatizante a Donald Trump: sua política econômica é nebulosa, suas
convicções morais me parecem mais para agradar ao público mais
conservador do que propriamente convicções pessoais ou republicanas.
Seus discursos são sem prudência alguma – por vezes, parece um discurso
de um louco qualquer.
Não obstante, Hillary Clinton chega a me dar náuseas. Na realidade,
ainda que infinitamente mais inteligente, em relação a conteúdo
acadêmico, Hillary é uma Dilma americanizada. Não à toa ela elogiou
recentemente a nossa “presidenta” (SIC)[1].
Não irei me prender nas características dos dois candidatos – não é
do interesse desse texto ser uma análise dos candidatos americanos à
presidência. Mas, como não perco a chance de criticar políticas de
esquerda, aqui vamos nós.
Hillary Clinton é confusa. Ela muda de opinião assim como muda de
roupa. Por vezes, defendeu a união civil de homossexuais; pelo mesmo
tanto, disse ser contrária a essa mesma união. Não sabemos, de fato, o
grau de sua tendência esquerdista, se é socialista assumida ou
socialista obducta. Não conhecemos sua real opinião sobre muitas coisas,
caso, por exemplo, do assistencialismo estatal.
Enfim, se Donald Trump é um republicano “oba-oba”, Hillary é uma
socialista turva, furtiva e obscura. Meus instintos filosóficos e
humanos me pedem para ter mais receio dos que se escondem. Escondem suas
opiniões pessoais e suas verdadeiras convicções políticas. Tenho mais
medo desses do que dos tolos expostos — ainda que Trump seja tolo
somente sob alguns aspectos.
Os que expõem abertamente suas ideias permitem-nos aderir ou não a
elas, de maneira clara, sucinta e sem embassamentos. Enquanto que
aqueles que fogem de certas perguntas, que não respondem de maneira
aberta questões basilares, os que mudam constantemente de opinião ou se
contradizem de forma quase que incessante, me parece muito mais alguém
que teme ser descoberto em sua forma nua. Ninguém se esconde se não tem o
porquê de não ser visto, ninguém maquia discursos se não teme que suas
palavras possam desnudá-los em público[2].
Mas o que eu pretendo abordar é como a mídia está fazendo uma
verdadeira promoção quase que beatífica de Hillary. Após a cada Jornal
Nacional na Rede Globo, fico com a impressão estupefata de que Hillary
seja uma semideusa, enquanto que Trump seja um demônio. Isso não é uma
impressão periférica e hermenêutica de minha parte: tratam-se de
exposições claramente tendenciosas e sem nenhuma preocupação em ser
imparcial. Aos apresentadores e comentaristas do GNews, por
exemplo, quando me permito assistir ao telejornal enquanto almoço, falta
tão-somente colocar a camisa da Hillary Clinton e usar o logo da
campanha democrata no canto direito inferior.
Quem estuda política sabe muito bem que a Globo colocou Lula no poder
em seu primeiro mandato. Sabemos também que ela apoiou a ditadura
militar em 1964. Ou seja, é uma mídia “Maria vai com as outras”, que
segue tendências por não possuir virilidade o suficiente para se
comprometer com a imparcialidade das notícias nem com o contraponto dos
atacados.
A mídia possui um aparato de alienação sem igual, ela simplesmente
consegue perverter e inverter paradigmas e valores conforme seu
bel-prazer. Muitos me questionam: como foi possível tantos abraçarem os
horrores do nazismo na Alemanha e do comunismo nos países em que ele
reinou? A propaganda, meus caros, é o carro chefe das ideologias.
Existem inúmeros estudos nesse sentido. Hoje sabemos que toda
politicagem trabalha de forma quase que perene nesses nichos de
informação.
Um livro em especial demonstra tal situação de forma clara e
contundente. Foi escrito por um jornalista brasileiro que esteve no
centro do maior aparato comunista que já existiu: a URSS. Seu trabalho
era justamente selecionar textos e mentir sobre fatos para que o
comunismo aparecesse como um sistema triunfante através da mídia.
Trata-se da obra O Retrato, de Osvaldo Peralva. A missão de
Peralva era mentir descaradamente para os partidos comunistas do mundo
inteiro a fim de que eles se mantivessem fieis à URSS.
Em determinado momento ele faz a seguinte afirmação sobre a propaganda comunista através dos meios midiáticos e jornalísticos:
“Jamais potência alguma no mundo dispôs de uma arma tão diabólica, de
um instrumento de ação tão efetivo e de tamanha amplitude como esse.
Nem os maiores impérios, nem os mais poderosos trustes internacionais
conseguiram esse grau de eficiência e essa capacidade de confundir os
espíritos, deformar a opinião pública, apagar a lucidez do raciocínio em
milhões de pessoas, desencadear, na base da falsidade e da mentira,
tempestades de paixão coletiva, caluniando, denegrindo, infamando”[3].
Devemos estar diariamente alertas para as tendenciosas informações
que nos chegam. Se, por um lado, a imparcialidade no conteúdo escolar
deve buscar a isenção de qualquer partidarismo, pedir isso à mídia
brasileira, hoje, é pedir demais. As grandes empresas que as financiam
essas mídias impõem a elas suas ideologias. Por vezes, editores e
diretores são apenas complacentes e reféns dessas politicagens forçadas.
Há, também, os militantes, mas a esses vocês já sabem como agem, como
robôs e gados de abate.
O kominform[4] ainda existe ao redor do mundo, de maneira branda e
menos gritante, é verdade. Existe em sua essência, vivendo em muitos
espíritos capazes impor a nossas famílias ideologias muito bem
estruturadas para a depravação. Hoje não se apoia mais num magnânimo
aparato político, como foi o aparato soviético, mas sim em organizações
muito grandiosas vendidas a ideólogos.
Assim como Pascal Bernadin denunciou a UNESCO em seu livro Maquiavel Pedagogo
por impor ideologias de forma ditatorial aos países. Hoje o simples
fato de a mídia falar, com ares de superioridade e sorrisos disformes,
sobre alguma tendência política, já é o suficiente para eu me precaver.
Talvez porque Trump fará os estudiosos terem de investigar o fato e
não as suas utopias de possíveis sociedades — como afirmou Pondé —,
talvez por ele falar sem rodeios muitas coisas que contrariem certas
cartilhas partidárias, talvez porque ele constranja com a realidade
aquilo que escondem com sonhos, talvez por ele não estar “nem aí” para o
politicamente correto tão abraçado pelo The New York Times, talvez porque ele faça com que os jornais tenham que romper a grossa camada de suas prostituições ideológicas.
Talvez o fato de que a grande agenda universitária dos socialistas e
revolucionários, dos estudantes e intelectuais americanos tenha de
sofrer certo enfrentamento no campo das ideias. Talvez por isso escolham
a confusa e obscura Hillary como a candidata mais adequada para eles.
Aquela que se venderá aos revolucionários, assim como fez seu mentor
Saul Alinsky ao demônio na dedicatória de seu livro Rules for de Radicals[5].
O simples cogitar de que os estudantes terão de pensar o mundo tal
como ele é, e não como ele utopicamente deveria ser, arranca cabelos das
cabeças esvoaçadas dos socialistas engomados daquele país.
Por fim, a pior ditadura acontece quando, sentado num sofá, invadem
sua mente e transformam-no em zumbi errante que não possui nem a
capacidade de discernir seu sexo. E, depois de tudo isso, querem nos
pregar o imparcialismo midiático. Faça-me rir.



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